domingo, 27 de fevereiro de 2011

Em primeira pessoa

Era uma vez uma moça que não gostava de escrever em primeira pessoa.
Foi quando, muito apaixonada por ela mesma, virou uma tremenda egoísta e achou que podia ser matéria de si própria.
Ora, quanta pretensão! Mas não se importava, queria mesmo era se ver traduzida em palavras, das quais tanto gostava.
E assim, de palavra em palavra, se construía como protagonista de uma história cheia de personagens que traziam beleza e leveza ao seu caminho. Com eles, ela escolheu seguir junto, na alegria e na tristeza (para ela essa frase fazia mais sentidos nas amizades do que nos casamentos).
Se fazia viva, cheia de sentimento, agora, sempre em primeira pessoa.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Da série "diálogos inúteis - parte I"

- Tem um negócio entalado na minha garganta.

- Você comeu peixe hoje? Engasgou com bala Soft?

- Não, engoli foi um sapo mesmo.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Tudo azul

Não, não chove. Faz muito sol e o céu é azul.
A música me alimenta, o trabalho me faz feliz, as pessoas melhoram meus dias.
Tudo acontece em ritmo das valsinhas dos quinze anos, fluindo levemente e simplesmente acontecendo de maneira bonita. Sim, eu acho a vida bonita, e a minha mais ainda. Sou grata.

E quando eu penso que me falta algo, lembro logo daquela música do U2, "Beautiful day", que, em bom português, diz que o que a gente não tem é porque não precisa agora.

Não falta nada. É só uma questão de tempo. E de necessidade.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Sossego

Hoje eu queria só palavras bonitas.
Mais nada não.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Sonho de dois

"Tinham dormido com as cabeças encostadas e aí, nessa premência física, na coincidência quase total das atitudes, das posições, da respiração, do mesmo quarto, do mesmo travesseiro, da mesma escuridão, do mesmo tique-taque, dos mesmos estímulos da rua e da cidade, das mesmas radiações magnéticas, da mesma marca de café, da mesma conjunção estelar, da mesma noite para os dois, aí estreitamente abraçados, tinham sonhado sonhos diferentes, tinham vivido aventuras diferentes, um sorriso enquanto a outra fugia aterrorizada, um voltara a prestar exame de álgebra, enquanto a outra chegara a uma cidade de pedras brancas.(...) Como era possível que a companhia diurna desembocasse inevitavelmente naquele divórcio, naquela solidão inadmissível do sonhador?" (Julio Cortázar, em O jogo da amarelinha)

Alguém para sonhar igual. Eu não desisto mesmo.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

A cidade

Gostava de ver a cidade de cima. As luzes iam ficando mais próximas, na mesma medida em que seu coração ia ficando mais aquecido (coração de moça nascida no Vale do Aço).
De aço era o coração, que amolecia ao sentir amor próximo, mas a alma era leve. Leve ficava ainda mais no balanço da aeronave, que embalava sonhos, saudades, desejos.
Assim, já bem baixinho e coração galopante, aterrissava rumo ao seu destino, na cidade em que as luzes brilhavam apenas do lado de fora.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Tristeza não tem fim?

Às vezes eu acho que a gente aprende na vida é a distrair a tristeza.
E todo mundo tem um tristezinha (ou uma tristezona) que dorme e acorda consigo todo dia. Só que tem uns que enganam ela melhor (fizeram teatro ou circo?) e assim ela fica só a gargalhar, bem escondida, como mera espectadora.