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quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Sonho de dois

"Tinham dormido com as cabeças encostadas e aí, nessa premência física, na coincidência quase total das atitudes, das posições, da respiração, do mesmo quarto, do mesmo travesseiro, da mesma escuridão, do mesmo tique-taque, dos mesmos estímulos da rua e da cidade, das mesmas radiações magnéticas, da mesma marca de café, da mesma conjunção estelar, da mesma noite para os dois, aí estreitamente abraçados, tinham sonhado sonhos diferentes, tinham vivido aventuras diferentes, um sorriso enquanto a outra fugia aterrorizada, um voltara a prestar exame de álgebra, enquanto a outra chegara a uma cidade de pedras brancas.(...) Como era possível que a companhia diurna desembocasse inevitavelmente naquele divórcio, naquela solidão inadmissível do sonhador?" (Julio Cortázar, em O jogo da amarelinha)

Alguém para sonhar igual. Eu não desisto mesmo.

domingo, 14 de novembro de 2010

Amor, amar

Arriscado falar de amor, muito fácil cair no lugar comum. Mas como é uma fase de experimentos, e sem riscos não tem graça, vamos falar de amor.

Eu não acredito no amor, eu experimento o amor todos os dias. Cresci dentro dele. Então, hoje, não é difícil entender porque todas as minhas escolhas são baseadas nele. A casa dos meus pais é puro amor, minha mãe tem uma capacidade inesgotável de amar, e foi nesse amor que crescemos. Digo que não é o amor cego, ele tem pitadas de razão, importantes para viver no mundo.

Eu sou capaz de amar, porque escolhi amar, e escolhas não são simples. Tem horas que são doídas e aí fazem a gente refletir se vale a pena do jeito que é. Algo me diz que sim, vale sim. Eu chego moída de cansaço ao final do dia, mas com uma satisfação imensa de ter espalhado (um pouco) de amor no mundo. E acho que o mundo precisa de amor sim, em sua forma mais ampla (porque amor homem-mulher é só uma partezinha do que o amor pode ser, e talvez o leitor esperasse que eu dissesse sobre esse tal amor aí). Feliz aquele que aceita o amor e aprende que pode ser bonito, bom, inteiro. E complementar.

Tudo isso soa tão fora de moda. Mas há algum tempo me reconheci assim, demodée.