Não o vejo passar.
Vou na contramão: para mim ele não caduca ou faz envelhecer, mas traz o novo. Faz acontecer a mudança de dentro que, vista de fora, toma o nome de escolha.
Traz a serenidade oscilante frente ao incerto. Está também na angústia que traz a solução.
Inexato para descrever, intenso. Existe, mas não se define. Momentâneo, mas eterno na forma de memória. Dele não temos controle.
(Texto dedicado a mim mesma, que sempre inimiga do tempo, hoje faz as pazes com ele. Feliz nova década!).
Sem intenção alguma, veio a idéia de um blog. Por ora simples, por ora divertido ou, por vezes, melancólico. É assim, feito a vida da gente.
quarta-feira, 12 de maio de 2010
domingo, 11 de abril de 2010
Uma tristeza
Mário Quintana repousa sobre a minha janela e olha pra mim.
Não lhe dou atenção já faz uns dias.
Faz falta ler o Mário. Faz falta ler.
Tanta coisa faz falta.
Tanta gente faz falta.
E assim a vida segue.
Não lhe dou atenção já faz uns dias.
Faz falta ler o Mário. Faz falta ler.
Tanta coisa faz falta.
Tanta gente faz falta.
E assim a vida segue.
segunda-feira, 29 de março de 2010
quinta-feira, 18 de março de 2010
Sobre a moça morna
Joana não ia ao salão. Não fazia as unhas (mal conseguia fazer a si mesma, todos os dias). Olhava as pessoas enquanto atravessava a rua, no trabalho, no shopping. Estava sozinha a maior parte do tempo, e isso lhe trazia a peculiaridade de ser assim, observadora.
Joana gostava de filmes de chorar, embora não chorasse nunca. Nem na vida real. Nem de alegria, nem de tristeza. De dor, só lembrava ter chorado quando criança. Não mais.
Gostava de andar de bicicleta e tinha mania de colher flores pelo caminho. Murchavam todas até chegar em casa. Mas isso a fazia feliz, a companhia das flores enquanto pedalava.
Não se queixava. Se irritava às vezes, mas fingia que não. E assim fingia várias coisas: que gostava do vizinho, que o emprego era bom, que não ligava pra solidão. Fazia-lhe bem? Não sabia. Não sabia como era ser diferente. Sabia apenas que era confortável permanecer.
Joana gostava de filmes de chorar, embora não chorasse nunca. Nem na vida real. Nem de alegria, nem de tristeza. De dor, só lembrava ter chorado quando criança. Não mais.
Gostava de andar de bicicleta e tinha mania de colher flores pelo caminho. Murchavam todas até chegar em casa. Mas isso a fazia feliz, a companhia das flores enquanto pedalava.
Não se queixava. Se irritava às vezes, mas fingia que não. E assim fingia várias coisas: que gostava do vizinho, que o emprego era bom, que não ligava pra solidão. Fazia-lhe bem? Não sabia. Não sabia como era ser diferente. Sabia apenas que era confortável permanecer.
domingo, 14 de fevereiro de 2010
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Abandono
Decidiu que não fazia mais sentido e simplesmente largou mão. Não tinha o hábito de abandonar nada, pelo contrário. Mas achou necessário, quase vital. Experimentou uma sensação nova, de liberdade ou sabia lá qual o nome daquilo. Sabia apenas que era bom e que até sentia um vazio vez por outra, mas naquele momento esvaziar-se dava-lhe conforto. Talvez era isso que buscava. Ou talvez não buscasse nada, apenas queria o apredizado do abandono.
domingo, 10 de janeiro de 2010
Sem edição
Tem coisas na vida que eu acho que é brincadeira, e das de mau gosto. Começou com uma prova da faculdade, logo no primeiro período, eu tinha certeza que o professor ia entrar e dizer naquele sotaque dele: errei, não era essa prova. Mas não. Eu fiquei a prova inteira esperando, não aconteceu.
Agora sempre que alguma coisa que eu não queria acontece, eu acho que vai vir alguém e avisar: "não era isso não, erraram seu script". Como se a vida não acontecesse ao vivo e pudesse ser editada. Não pode.
Agora sempre que alguma coisa que eu não queria acontece, eu acho que vai vir alguém e avisar: "não era isso não, erraram seu script". Como se a vida não acontecesse ao vivo e pudesse ser editada. Não pode.
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