Joana não ia ao salão. Não fazia as unhas (mal conseguia fazer a si mesma, todos os dias). Olhava as pessoas enquanto atravessava a rua, no trabalho, no shopping. Estava sozinha a maior parte do tempo, e isso lhe trazia a peculiaridade de ser assim, observadora.
Joana gostava de filmes de chorar, embora não chorasse nunca. Nem na vida real. Nem de alegria, nem de tristeza. De dor, só lembrava ter chorado quando criança. Não mais.
Gostava de andar de bicicleta e tinha mania de colher flores pelo caminho. Murchavam todas até chegar em casa. Mas isso a fazia feliz, a companhia das flores enquanto pedalava.
Não se queixava. Se irritava às vezes, mas fingia que não. E assim fingia várias coisas: que gostava do vizinho, que o emprego era bom, que não ligava pra solidão. Fazia-lhe bem? Não sabia. Não sabia como era ser diferente. Sabia apenas que era confortável permanecer.
Sem intenção alguma, veio a idéia de um blog. Por ora simples, por ora divertido ou, por vezes, melancólico. É assim, feito a vida da gente.
quinta-feira, 18 de março de 2010
domingo, 14 de fevereiro de 2010
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Abandono
Decidiu que não fazia mais sentido e simplesmente largou mão. Não tinha o hábito de abandonar nada, pelo contrário. Mas achou necessário, quase vital. Experimentou uma sensação nova, de liberdade ou sabia lá qual o nome daquilo. Sabia apenas que era bom e que até sentia um vazio vez por outra, mas naquele momento esvaziar-se dava-lhe conforto. Talvez era isso que buscava. Ou talvez não buscasse nada, apenas queria o apredizado do abandono.
domingo, 10 de janeiro de 2010
Sem edição
Tem coisas na vida que eu acho que é brincadeira, e das de mau gosto. Começou com uma prova da faculdade, logo no primeiro período, eu tinha certeza que o professor ia entrar e dizer naquele sotaque dele: errei, não era essa prova. Mas não. Eu fiquei a prova inteira esperando, não aconteceu.
Agora sempre que alguma coisa que eu não queria acontece, eu acho que vai vir alguém e avisar: "não era isso não, erraram seu script". Como se a vida não acontecesse ao vivo e pudesse ser editada. Não pode.
Agora sempre que alguma coisa que eu não queria acontece, eu acho que vai vir alguém e avisar: "não era isso não, erraram seu script". Como se a vida não acontecesse ao vivo e pudesse ser editada. Não pode.
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
Alguém pode abrir a janela?
Tem horas que bate um abafamento daqueles. Aí a única vontade que me dá é de que alguém abra a janela e que venha aquele ventinho gostoso.
sábado, 12 de dezembro de 2009
"Brand new start" pra todo mundo!
Precisa de mais alguma coisa? Recomeço "novinho da silva" é tudo de bom!
Faz a vida ter outras cores, simplesmente por ela mesma.
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Felicidade
João queria ser feliz depois da casa nova. Luciana, depois do casamento. Já o Alfredo decidiu que seria quando subisse de cargo na empresa. A Ana falou que só conheceria a felicidade quando fosse para a Europa.
Luciana casou com Alfredo - "o dia mais feliz da minha vida". Um mês depois, Alfredo foi promovido.
O João e a Ana foram ao casamento, lá se conheceram. João contou para a Ana da casa nova. "Tô quase feliz", ele desabafou. A Ana retrucou: "ô felicidade que não chega".
João mudou-se. Ana, que ia para a Bélgica, foi visitá-lo. "Vou ser feliz João".
Alfredo agora era chefe e quase não tinha tempo. Luciana, entediada, procurava passar o tempo. Ele, cansado, não via a hora de ter férias ("maldita promoção").
João estava meio sozinho, afinal de contas, era uma casa tão grande... Ana tinha saudades do Brasil.
Luciana e Alfredo (que pediu demissão) separaram-se.
João vendeu a casa e foi atrás de Ana. Quando se encontraram, decidiram voltar para o Brasil. Hoje moram juntos num apartamento de dois quartos, bem no centro da cidade.
Luciana casou com Alfredo - "o dia mais feliz da minha vida". Um mês depois, Alfredo foi promovido.
O João e a Ana foram ao casamento, lá se conheceram. João contou para a Ana da casa nova. "Tô quase feliz", ele desabafou. A Ana retrucou: "ô felicidade que não chega".
João mudou-se. Ana, que ia para a Bélgica, foi visitá-lo. "Vou ser feliz João".
Alfredo agora era chefe e quase não tinha tempo. Luciana, entediada, procurava passar o tempo. Ele, cansado, não via a hora de ter férias ("maldita promoção").
João estava meio sozinho, afinal de contas, era uma casa tão grande... Ana tinha saudades do Brasil.
Luciana e Alfredo (que pediu demissão) separaram-se.
João vendeu a casa e foi atrás de Ana. Quando se encontraram, decidiram voltar para o Brasil. Hoje moram juntos num apartamento de dois quartos, bem no centro da cidade.
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