sábado, 10 de julho de 2010

Era uma vez...

Quando menina, achava a vida boa e que assim permaneceria.
Acreditava e vivia.
Uma decepção (ou meia dúzia delas) depois, ganhou uma lucidez que quase ofuscava sua visão. Não havia mais espaço para a menina.
Estava encharcada de realidade.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Do you know what it feels like for a girl?

Eu (que nem sou fã da Madonna) fiquei com a canção do título na cabeça.

"(...)'Cause it's OK to be a boy
But for a boy to look like a girl is degrading
'Cause you think that being a girl is degrading(...)"

Que tal. Quem pensa assim?
Talvez pior não seja pensar, mas agir assim.

Degrading.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

O tempo

Não o vejo passar.
Vou na contramão: para mim ele não caduca ou faz envelhecer, mas traz o novo. Faz acontecer a mudança de dentro que, vista de fora, toma o nome de escolha.
Traz a serenidade oscilante frente ao incerto. Está também na angústia que traz a solução.
Inexato para descrever, intenso. Existe, mas não se define. Momentâneo, mas eterno na forma de memória. Dele não temos controle.

(Texto dedicado a mim mesma, que sempre inimiga do tempo, hoje faz as pazes com ele. Feliz nova década!).

domingo, 11 de abril de 2010

Uma tristeza

Mário Quintana repousa sobre a minha janela e olha pra mim.
Não lhe dou atenção já faz uns dias.
Faz falta ler o Mário. Faz falta ler.
Tanta coisa faz falta.
Tanta gente faz falta.
E assim a vida segue.

segunda-feira, 29 de março de 2010

quinta-feira, 18 de março de 2010

Sobre a moça morna

Joana não ia ao salão. Não fazia as unhas (mal conseguia fazer a si mesma, todos os dias). Olhava as pessoas enquanto atravessava a rua, no trabalho, no shopping. Estava sozinha a maior parte do tempo, e isso lhe trazia a peculiaridade de ser assim, observadora.
Joana gostava de filmes de chorar, embora não chorasse nunca. Nem na vida real. Nem de alegria, nem de tristeza. De dor, só lembrava ter chorado quando criança. Não mais.
Gostava de andar de bicicleta e tinha mania de colher flores pelo caminho. Murchavam todas até chegar em casa. Mas isso a fazia feliz, a companhia das flores enquanto pedalava.
Não se queixava. Se irritava às vezes, mas fingia que não. E assim fingia várias coisas: que gostava do vizinho, que o emprego era bom, que não ligava pra solidão. Fazia-lhe bem? Não sabia. Não sabia como era ser diferente. Sabia apenas que era confortável permanecer.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Queria mesmo...

era ser boa com as palavras e escolhê-las exatas.