Sem intenção alguma, veio a idéia de um blog. Por ora simples, por ora divertido ou, por vezes, melancólico. É assim, feito a vida da gente.
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
Em letras
Leia-me. Mas leia-me inteira, desde o rascunho manuscrito e por muito borrado pelas correções. Leia-me imperfeita, com erros. Leia-me com as passagens bonitas, as melancólicas, as depressivas, as exaustivas, as intermináveis, as aventureiras, as divertidas. Leia-me. Leia-me todos os dias porque igual eu nunca serei. Leia-me dormindo, nessas horas o devaneio é permitido. Leia-me sonhando e construa quem você quiser. Leia-me quando acordado, o real é muito melhor. Leia-me andando na rua. Tropece por isso, mas continue lendo e descobrindo. Leia-me no trabalho, seu chefe detestará, mas isso pouco importa. Desfrute página por página.
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Diálogos inúteis - parte III
- Eu acho que as pessoas deviam colocar uma pedra no passado.
- Eu já acho que elas deviam era jogar uma pedra na cabeça desse tal "passado".
- Eu já acho que elas deviam era jogar uma pedra na cabeça desse tal "passado".
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
Dos alarmes da vida
A sirene lhe abriu os olhos, enquanto escancarava os ouvidos. Soava como um alarme ininterrupto de "pare, é uma emergência". O barulho ensurdecedor ia tomando suas idéias, paralisando suas ações quando, num ímpeto, largou todos os seus papéis, todas as suas funções e disse: "dá licença, vou ser feliz".
Ninguém entendeu nada.
Ninguém entendeu nada.
sexta-feira, 24 de junho de 2011
Tá bom assim?
Tem gente que passa uma vida inteira satisfeito com o mais-ou-menos.
Porque o mais-ou-menos pode ser o melhor que tá tendo. Porque não existe nada melhor que isso, ora!
E assim, ficamos sempre mais-ou-menos satisfeitos, mais-ou-menos felizes, mais-ou-menos achando que a vida é mais-ou-menos assim: eu tenho que tolerar seu mais-ou-menos porque eu também devo ser lá, hum, mais-ou-menos.
Eu achava que o que eu queria era pouco e simples, mas com esses mais-ou-menos todos descobri que o quero é demais: eu não quero o mais-ou-menos. Mesmo sendo, digamos, mais-ou-menos lúcida.
Porque o mais-ou-menos pode ser o melhor que tá tendo. Porque não existe nada melhor que isso, ora!
E assim, ficamos sempre mais-ou-menos satisfeitos, mais-ou-menos felizes, mais-ou-menos achando que a vida é mais-ou-menos assim: eu tenho que tolerar seu mais-ou-menos porque eu também devo ser lá, hum, mais-ou-menos.
Eu achava que o que eu queria era pouco e simples, mas com esses mais-ou-menos todos descobri que o quero é demais: eu não quero o mais-ou-menos. Mesmo sendo, digamos, mais-ou-menos lúcida.
terça-feira, 14 de junho de 2011
Borboletas
- Quero criar borboletas.
Por suas cores que, manhosamente, se emaranham nos cabelos das moças. Pelo balé bonito que fazem com sua leveza, tingindo o cinza do asfalto e fazendo sorrir por onde passam. Porque eu acho que são poucos jardins e são poucas as borboletas, e o mundo precisa, sim, de mais borboletas.
É por isso que o menino, quando crescer, quer criar borboletas.
(Para Daiana, que tem um coração tão bonito quanto o do menino-anônimo, criador de borboletas).
Por suas cores que, manhosamente, se emaranham nos cabelos das moças. Pelo balé bonito que fazem com sua leveza, tingindo o cinza do asfalto e fazendo sorrir por onde passam. Porque eu acho que são poucos jardins e são poucas as borboletas, e o mundo precisa, sim, de mais borboletas.
É por isso que o menino, quando crescer, quer criar borboletas.
(Para Daiana, que tem um coração tão bonito quanto o do menino-anônimo, criador de borboletas).
sexta-feira, 27 de maio de 2011
Metalinguístico
Naquela pontinha do mundo - que era quase o fim do mundo - alguém gostava de poesia.
A palavra fazia companhia e derramava beleza sobre os dias frios e solitários.
"Quem escreve? Acho bonito que só." - pensava.
Lá do outro lado, num lugar muito caloroso e cheio de sentido, quem escrevia se esmerava em construir coisas bonitas de ler, pensando: "Pode ser. Palavra é coisa difícil, mas a gente vai juntando e uma hora sai o que pode fazer a alma de alguém sorrir. Porque escrever para o coração ainda é fácil, igual lápis sobre papel. Agora escrever para a alma é que nem dedo no ar: ninguém vê o que sai, mas ver, não precisa, precisa sentir."
E o leitor-da-ponta-do-mundo agradecia, sentindo quentinha a alma.
A palavra fazia companhia e derramava beleza sobre os dias frios e solitários.
"Quem escreve? Acho bonito que só." - pensava.
Lá do outro lado, num lugar muito caloroso e cheio de sentido, quem escrevia se esmerava em construir coisas bonitas de ler, pensando: "Pode ser. Palavra é coisa difícil, mas a gente vai juntando e uma hora sai o que pode fazer a alma de alguém sorrir. Porque escrever para o coração ainda é fácil, igual lápis sobre papel. Agora escrever para a alma é que nem dedo no ar: ninguém vê o que sai, mas ver, não precisa, precisa sentir."
E o leitor-da-ponta-do-mundo agradecia, sentindo quentinha a alma.
quinta-feira, 19 de maio de 2011
Assinar:
Postagens (Atom)