Tem gente que passa uma vida inteira satisfeito com o mais-ou-menos.
Porque o mais-ou-menos pode ser o melhor que tá tendo. Porque não existe nada melhor que isso, ora!
E assim, ficamos sempre mais-ou-menos satisfeitos, mais-ou-menos felizes, mais-ou-menos achando que a vida é mais-ou-menos assim: eu tenho que tolerar seu mais-ou-menos porque eu também devo ser lá, hum, mais-ou-menos.
Eu achava que o que eu queria era pouco e simples, mas com esses mais-ou-menos todos descobri que o quero é demais: eu não quero o mais-ou-menos. Mesmo sendo, digamos, mais-ou-menos lúcida.
Sem intenção alguma, veio a idéia de um blog. Por ora simples, por ora divertido ou, por vezes, melancólico. É assim, feito a vida da gente.
sexta-feira, 24 de junho de 2011
terça-feira, 14 de junho de 2011
Borboletas
- Quero criar borboletas.
Por suas cores que, manhosamente, se emaranham nos cabelos das moças. Pelo balé bonito que fazem com sua leveza, tingindo o cinza do asfalto e fazendo sorrir por onde passam. Porque eu acho que são poucos jardins e são poucas as borboletas, e o mundo precisa, sim, de mais borboletas.
É por isso que o menino, quando crescer, quer criar borboletas.
(Para Daiana, que tem um coração tão bonito quanto o do menino-anônimo, criador de borboletas).
Por suas cores que, manhosamente, se emaranham nos cabelos das moças. Pelo balé bonito que fazem com sua leveza, tingindo o cinza do asfalto e fazendo sorrir por onde passam. Porque eu acho que são poucos jardins e são poucas as borboletas, e o mundo precisa, sim, de mais borboletas.
É por isso que o menino, quando crescer, quer criar borboletas.
(Para Daiana, que tem um coração tão bonito quanto o do menino-anônimo, criador de borboletas).
sexta-feira, 27 de maio de 2011
Metalinguístico
Naquela pontinha do mundo - que era quase o fim do mundo - alguém gostava de poesia.
A palavra fazia companhia e derramava beleza sobre os dias frios e solitários.
"Quem escreve? Acho bonito que só." - pensava.
Lá do outro lado, num lugar muito caloroso e cheio de sentido, quem escrevia se esmerava em construir coisas bonitas de ler, pensando: "Pode ser. Palavra é coisa difícil, mas a gente vai juntando e uma hora sai o que pode fazer a alma de alguém sorrir. Porque escrever para o coração ainda é fácil, igual lápis sobre papel. Agora escrever para a alma é que nem dedo no ar: ninguém vê o que sai, mas ver, não precisa, precisa sentir."
E o leitor-da-ponta-do-mundo agradecia, sentindo quentinha a alma.
A palavra fazia companhia e derramava beleza sobre os dias frios e solitários.
"Quem escreve? Acho bonito que só." - pensava.
Lá do outro lado, num lugar muito caloroso e cheio de sentido, quem escrevia se esmerava em construir coisas bonitas de ler, pensando: "Pode ser. Palavra é coisa difícil, mas a gente vai juntando e uma hora sai o que pode fazer a alma de alguém sorrir. Porque escrever para o coração ainda é fácil, igual lápis sobre papel. Agora escrever para a alma é que nem dedo no ar: ninguém vê o que sai, mas ver, não precisa, precisa sentir."
E o leitor-da-ponta-do-mundo agradecia, sentindo quentinha a alma.
quinta-feira, 19 de maio de 2011
sábado, 2 de abril de 2011
Ofuscante
Vestida de estrelas, colocou brisa no cabelo.
Encheu os olhos de sol.
Subiu num salto de pedrinhas multicores.
Ofuscou qualquer discernimento e desagregou todo pedaço, escondido que fosse, de escuridão.
Seguiu, cegou e sorriu quando lhe perguntaram de onde vinha tanto brilho.
Encheu os olhos de sol.
Subiu num salto de pedrinhas multicores.
Ofuscou qualquer discernimento e desagregou todo pedaço, escondido que fosse, de escuridão.
Seguiu, cegou e sorriu quando lhe perguntaram de onde vinha tanto brilho.
quinta-feira, 24 de março de 2011
[Sem título]
De repente, um sono profundo. Cada vez mais.
Para onde escorregava sua alma? Descansava?
Não. Estava bem ali, esperando por um sopro que lhe tirasse do limbo (porque qualquer limbo não é bom).
Esperava que o corpo correspondesse ao desejo da alma.
Esperava que o ar lhe enchesse os pulmões.
Esperava sentir de novo o toque.
Esperava o correr das horas.
Esperava.
Para onde escorregava sua alma? Descansava?
Não. Estava bem ali, esperando por um sopro que lhe tirasse do limbo (porque qualquer limbo não é bom).
Esperava que o corpo correspondesse ao desejo da alma.
Esperava que o ar lhe enchesse os pulmões.
Esperava sentir de novo o toque.
Esperava o correr das horas.
Esperava.
terça-feira, 1 de março de 2011
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