sexta-feira, 27 de maio de 2011

Metalinguístico

Naquela pontinha do mundo - que era quase o fim do mundo - alguém gostava de poesia.
A palavra fazia companhia e derramava beleza sobre os dias frios e solitários.
"Quem escreve? Acho bonito que só." - pensava.

Lá do outro lado, num lugar muito caloroso e cheio de sentido, quem escrevia se esmerava em construir coisas bonitas de ler, pensando: "Pode ser. Palavra é coisa difícil, mas a gente vai juntando e uma hora sai o que pode fazer a alma de alguém sorrir. Porque escrever para o coração ainda é fácil, igual lápis sobre papel. Agora escrever para a alma é que nem dedo no ar: ninguém vê o que sai, mas ver, não precisa, precisa sentir."

E o leitor-da-ponta-do-mundo agradecia, sentindo quentinha a alma.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Diálogos inúteis - parte II

- Não podemos ficar juntos.

- Porque? Somos irmãos??

- (Silêncio)...

sábado, 2 de abril de 2011

Ofuscante

Vestida de estrelas, colocou brisa no cabelo.
Encheu os olhos de sol.
Subiu num salto de pedrinhas multicores.
Ofuscou qualquer discernimento e desagregou todo pedaço, escondido que fosse, de escuridão.
Seguiu, cegou e sorriu quando lhe perguntaram de onde vinha tanto brilho.

quinta-feira, 24 de março de 2011

[Sem título]

De repente, um sono profundo. Cada vez mais.
Para onde escorregava sua alma? Descansava?
Não. Estava bem ali, esperando por um sopro que lhe tirasse do limbo (porque qualquer limbo não é bom).
Esperava que o corpo correspondesse ao desejo da alma.
Esperava que o ar lhe enchesse os pulmões.
Esperava sentir de novo o toque.
Esperava o correr das horas.
Esperava.

terça-feira, 1 de março de 2011

Se deixa levar...

...porque "talvez atrapalha".

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Em primeira pessoa

Era uma vez uma moça que não gostava de escrever em primeira pessoa.
Foi quando, muito apaixonada por ela mesma, virou uma tremenda egoísta e achou que podia ser matéria de si própria.
Ora, quanta pretensão! Mas não se importava, queria mesmo era se ver traduzida em palavras, das quais tanto gostava.
E assim, de palavra em palavra, se construía como protagonista de uma história cheia de personagens que traziam beleza e leveza ao seu caminho. Com eles, ela escolheu seguir junto, na alegria e na tristeza (para ela essa frase fazia mais sentidos nas amizades do que nos casamentos).
Se fazia viva, cheia de sentimento, agora, sempre em primeira pessoa.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Da série "diálogos inúteis - parte I"

- Tem um negócio entalado na minha garganta.

- Você comeu peixe hoje? Engasgou com bala Soft?

- Não, engoli foi um sapo mesmo.